Pulga e carrapato em cachorro e gato: como eliminar, como prevenir e quando vira doença
A maior parte das pulgas não está no animal, está na sua casa, e a doença do carrapato aparece semanas depois do último carrapato. Veja o que existe para eliminar e prevenir, como tirar um carrapato sem risco, a regra que salva a vida do gato e quando é caso de veterinário.
- A resposta curta
- Pulga ou carrapato: como saber o que ele tem
- Pulga: o que você vê é a ponta do problema
- Carrapato: o do cão e o do mato
- A "doença do carrapato": erliquiose e babesiose
- Febre maculosa: o risco aqui é para você
- Como tirar um carrapato do jeito certo
- Como eliminar: o que existe e como escolher
- Gato: a regra que salva vidas
- A casa: onde a guerra é ganha
- Remédio caseiro: o que não funciona e o que faz mal
- Quando ir ao veterinário sem esperar
- Fontes consultadas
A resposta curta
Pulga e carrapato não são "coisa de bicho de rua". No Brasil, com calor o ano inteiro em boa parte do país, eles atacam o cachorro de apartamento que só sai para passear e o gato que nunca pisou na grama. E a diferença entre um incômodo e uma doença séria está em três decisões que são suas: usar um produto de verdade, tratar a casa junto com o animal e não parar cedo demais.
Se você quer só o essencial: para pulga, a maior parte da população não está no animal, está no chão da sua casa, e é por isso que banho não resolve e o tratamento precisa durar meses. Para carrapato, o que importa é a doença que ele carrega, e a mais comum aqui, a erliquiose, tem um período de incubação de 8 a 20 dias: o cachorro adoece semanas depois de você ter tirado o último carrapato. E há uma regra que não admite exceção: produto de cachorro nunca vai em gato. A explicação de cada ponto vem a seguir.
Pulga ou carrapato: como saber o que ele tem
Os dois fazem o animal se coçar, e é comum a pessoa tratar um achando que é o outro. Eles são bichos diferentes, com hábitos diferentes, e o produto que resolve um nem sempre resolve o outro.
| Pulga | Carrapato | |
|---|---|---|
| O que é | Inseto de 1 a 3 mm, marrom-escuro, achatado, que pula | Aracnídeo (parente da aranha), de 2 mm a mais de 1 cm quando cheio de sangue, que anda e se fixa |
| Onde fica no animal | Se move rápido pela pelagem; base da cauda, barriga e virilha | Parado, grudado na pele: orelhas, entre os dedos, pescoço, axilas |
| Onde vive | Ovos, larvas e pupas no ambiente: tapete, cama, frestas do piso, terra | O do cão vive em frestas de muro, canil e rodapé; o do mato, no capim e em áreas rurais |
| Sinal típico | Coceira intensa, pontinhos pretos na pelagem ("fezes de pulga"), feridas na base da cauda | Carrapatos visíveis; às dias depois, febre, apatia, gengiva pálida, sangramento |
| Risco principal | Alergia (DAPP), anemia em filhotes, verme (Dipylidium) | Erliquiose, babesiose; para pessoas, febre maculosa |
| Em gato | Muito comum | Raro, mas acontece em gato que sai |
Um detalhe que engana: o carrapato pequeno, recém-fixado, parece uma verruga ou uma casquinha, e o cheio de sangue parece um feijão cinza. Passe a mão contra o pelo, com calma, nas orelhas, entre os dedos e no pescoço. É onde eles se escondem.
Pulga: o que você vê é a ponta do problema
A pulga que ataca cães e gatos no Brasil é quase sempre a mesma: a Ctenocephalides felis, a "pulga do gato", que apesar do nome é também a pulga do cachorro. O Manual Veterinário Merck a chama de "de longe a mais prevalente em cães e gatos". E os números dela explicam por que o problema volta.
Uma pulga adulta começa a se alimentar cerca de 5 minutos depois de subir no animal. A fêmea põe ovos a partir de 24 a 48 horas da primeira refeição de sangue: até 40 a 50 ovos por dia no pico, uma média de 27 por dia ao longo de 50 dias. Os ovos não ficam no animal. Eles são lisos e caem da pelagem onde o bicho anda, dorme e se sacode: cama, tapete, sofá, frestas do piso, terra do quintal.
No chão, o ovo vira larva, a larva vira pupa dentro de um casulo, e o casulo é o problema. Em condições ideais o ciclo inteiro fecha em 12 a 14 dias; numa casa comum, em 3 a 8 semanas. Mas a pulga já formada pode ficar esperando dentro do casulo por até 30 semanas, protegida, até sentir calor, vibração ou o gás carbônico de um animal passando. Aí ela sai. É por isso que uma casa que ficou fechada nas férias "explode" em pulgas quando a família volta, e é por isso que dar um banho no animal e achar que acabou é a ilusão mais cara desse assunto.
Como confirmar que é pulga
Nem sempre você vê a pulga. Veja os rastros. Passe um pente fino (pente de pulga, que qualquer pet shop vende) na base da cauda e na barriga, e bata o que sair sobre um papel branco úmido. Pontinhos pretos que ficam avermelhados ao molhar são fezes de pulga: sangue digerido. Isso é diagnóstico.
Repare também no padrão da coceira. Pulga costuma concentrar na metade de trás do corpo: base da cauda, parte de dentro das coxas, barriga. Um animal que se morde ali até tirar pelo, com pele vermelha e casquinhas, provavelmente tem dermatite alérgica à picada de pulga, a DAPP. Nesse caso uma única picada basta para semanas de coceira, e o tratamento precisa ser mais rígido do que o de um animal que não é alérgico.
O que a pulga faz além de coçar
- Anemia. Em filhote, gato pequeno ou animal debilitado com muitas pulgas, a perda de sangue leva a anemia por falta de ferro. Gengiva pálida e fraqueza em um filhote cheio de pulgas é caso de veterinário no mesmo dia.
- Verme. A larva da pulga come ovos do Dipylidium caninum, uma tênia. Quando o cachorro ou o gato se lambe e engole a pulga, pega o verme. Aqueles "grãos de arroz" que se mexem nas fezes ou no pelo perto do ânus vêm daí. Por isso, animal com pulga costuma precisar também de vermífugo, e o veterinário é quem escolhe qual.
- Feridas infectadas. A coceira abre a pele, e a pele aberta infecciona. O que começou como pulga vira dermatite com antibiótico.
Carrapato: o do cão e o do mato
No Brasil, dois carrapatos importam para quem tem cachorro, e eles vivem em mundos diferentes.
O carrapato do cão (Rhipicephalus sanguineus, chamado de carrapato marrom ou carrapato vermelho do cão) é o das cidades. Ele não precisa de mato: vive em frestas de muro, canil, rodapé, atrás de móveis, e sobe no animal para se alimentar. É esse que aparece em cachorro de apartamento que frequenta a pracinha ou o pet shop, e é ele que transmite a erliquiose e a babesiose, a famosa "doença do carrapato".
O carrapato-estrela (Amblyomma sculptum) é o do mato, do pasto, da beira de rio e das áreas com capivara e cavalo. O cachorro pega em trilha, sítio, fazenda, parque com lago. Para o animal ele é um parasita como outro; para você, ele é o transmissor da febre maculosa, a doença mais letal transmitida por carrapato no país. E o cachorro é a ponte que traz esse carrapato do mato para dentro da sua casa.
Gato raramente tem carrapato: ele se limpa demais. Mas gato que sai para o quintal e volta com um carrapato grudado existe, e vale a mesma técnica de remoção.
A "doença do carrapato": erliquiose e babesiose
Quando alguém diz que o cachorro "pegou doença do carrapato", está falando de uma de duas infecções, ou das duas juntas: a erliquiose, causada pela bactéria Ehrlichia canis, e a babesiose, causada por um protozoário que destrói glóbulos vermelhos. As duas vêm da picada do carrapato do cão. A erliquiose é a mais comum e a mais traiçoeira, e é dela que vamos falar.
O período de incubação é de 8 a 20 dias. Traduzindo: o cachorro pode ter ficado limpo de carrapato há duas semanas e só agora começar a adoecer, e o dono não faz a ligação. A doença tem três fases:
- Aguda, nas primeiras semanas: febre alta (39,5 a 41,5 °C), falta de apetite, perda de peso, apatia, secreção nos olhos e no nariz, e o sinal que mais assusta, sangramento pelo nariz ou manchinhas vermelhas na gengiva e na barriga. Isso acontece porque a bactéria derruba as plaquetas, as células que fazem o sangue coagular.
- Subclínica: o animal parece bem, às vezes por anos, mas o hemograma segue alterado. É a fase em que a doença "some" e volta.
- Crônica: a medula óssea para de produzir células, e o quadro fica grave. É a fase que mata, e é evitável com diagnóstico na primeira.
O diagnóstico é do veterinário: hemograma (as plaquetas baixas são o primeiro sinal), teste rápido, sorologia ou PCR. O tratamento é um antibiótico específico, a doxiciclina, por 3 a 4 semanas nos casos agudos e até 8 nos crônicos. Duas coisas que o dono precisa saber: o tratamento não pode ser interrompido quando o animal melhora, porque a bactéria volta; e não existe vacina. A única prevenção é não deixar o carrapato picar.
Se o seu cachorro está com febre, apático, com a gengiva pálida ou sangrando pelo nariz, não espere para ver se passa. Procure um veterinário hoje e conte que ele teve carrapato, mesmo que há semanas. Essa informação muda o exame que vai ser pedido.
Febre maculosa: o risco aqui é para você
A febre maculosa brasileira é causada pela bactéria Rickettsia rickettsii e transmitida pelo carrapato-estrela. O cachorro é raramente o doente; ele é o transporte. Um cão que passeou num parque com capivaras e voltou com carrapatos trouxe para o sofá um bicho que pode picar você ou uma criança.
Os números do Instituto Brasília Ambiental, que acompanha a doença no Distrito Federal, dão a medida do problema: para transmitir a bactéria, "o carrapato-estrela infectado precisa ficar ao menos quatro horas fixado na pessoa"; o período de incubação "dura sete dias, em média, podendo variar de dois a 14 dias"; e a mortalidade fica "próxima a 33%, podendo alcançar até 80% sem tratamento precoce". A doença é concentrada no Sudeste, sobretudo no interior de São Paulo, e vem reemergindo com o aumento da população de capivaras.
Os sintomas, segundo o Ministério da Saúde, começam como uma virose: febre, "dor de cabeça intensa", náuseas, vômitos, diarreia. As manchas na pele que dão nome à doença podem demorar a aparecer, e quando aparecem o quadro já é grave. Por isso a regra é simples: febre alta nas duas semanas seguintes a uma trilha, sítio ou parque com carrapato é caso de médico no mesmo dia, dizendo que houve contato com carrapato. O tratamento funciona bem quando começa cedo.
- Roupas claras e calça dentro da meia. Carrapato escuro em roupa clara aparece.
- Examine o próprio corpo e o do cachorro ao voltar. "Quanto mais rápido retirar os carrapatos do corpo, menor será o risco de contrair a doença", diz o Ministério da Saúde.
- Mantenha o cão na guia em área com carrapato, para ele não trazer o bicho do capim para dentro de casa.
- Nunca esmague um carrapato com a unha: o fluido dele pode infectar por um corte na pele.
Como tirar um carrapato do jeito certo
Vale para o cachorro, para o gato e para você. A técnica é a mesma que os Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos ensinam, e que o Ministério da Saúde resume em uma frase: "não aperte ou esmague o carrapato, mas puxe com cuidado e firmeza".
- Use uma pinça de ponta fina ou um removedor de carrapato (o "gancho" de plástico vendido em pet shop). Na falta, os dedos protegidos por luva ou papel.
- Pegue o carrapato o mais perto possível da pele, pela cabeça, não pelo corpo cheio.
- Puxe reto, com pressão constante, sem torcer e sem dar tranco. Torcer quebra o bicho e deixa a cabeça dentro.
- Se um pedaço da boca ficar na pele, tente tirar com a pinça. Se não sair com facilidade, deixe: o corpo expulsa sozinho, como uma farpa.
- Limpe o local com água e sabão ou álcool, e limpe as mãos.
- Descarte sem esmagar: num potinho com álcool, num saco fechado ou na privada. Se alguém da casa tiver febre nas semanas seguintes, o carrapato guardado no álcool ajuda o médico.
O que não fazer, nunca: álcool, fogo, vaselina, esmalte ou querosene em cima do carrapato grudado. A ideia de "sufocar" o bicho para ele soltar é folclore, e o efeito real é o contrário: o carrapato irritado regurgita dentro da picada, e é aí que a bactéria entra.
Tirou dez carrapatos do cachorro numa noite? Ótimo, mas isso é sintoma, não tratamento. Onde há dez visíveis há centenas em fase jovem escondidas na casa ou no quintal. Vá para a próxima seção.
Como eliminar: o que existe e como escolher
Existe muito produto bom no Brasil, e o critério número um é o mais simples: tem registro no Ministério da Agricultura? Todo antiparasitário legal traz o número de registro no Mapa na embalagem, e o próprio Ministério mantém a consulta pública dos produtos registrados. Produto sem registro, de feira ou de importação informal, não tem controle de dose nem de segurança, e a economia sai caro.
O segundo critério é a bula: idade mínima, peso mínimo e espécie. Cada produto tem os seus, e não existe "mais ou menos". A tabela abaixo organiza o que existe por tipo. Os nomes comerciais aparecem só como referência do que você encontra na prateleira; quem indica o produto certo para o seu animal é o médico-veterinário, e é nele que você confia a dose.
| Tipo | Princípios ativos comuns | Dura | Pulga | Carrapato | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Comprimido mastigável (isoxazolinas) | Fluralaner, afoxolaner, sarolaner, lotilaner (Bravecto, NexGard, Simparic, Credeli) | 1 a 3 meses, conforme o produto | Sim | Sim | Age pelo sangue: não sai no banho nem na chuva. Alguns têm versão para gato. É a classe mais usada hoje |
| Coleira | Imidacloprida + flumetrina (Seresto); deltametrina | Até 8 meses | Sim | Sim | Precisa ficar justa, encostada na pele. Verifique se a versão é para cão ou gato: são diferentes |
| Pipeta (spot-on) | Fipronil (Frontline), imidacloprida (Advantage), selamectina (Revolution, para gato) | Cerca de 1 mês | Sim | Depende do produto | Aplicar na nuca, na pele, não no pelo. Sem banho nos 2 dias antes e depois. Pipeta de cão em gato pode matar (veja abaixo) |
| Spray | Fipronil e outros | Semanas | Sim | Sim | Útil em filhote muito novo, quando a bula permite, e em infestação pesada como reforço |
| Comprimido de ação rápida | Nitenpiram (Capstar) | 24 horas | Sim | Não | Mata as pulgas do animal em horas; não previne. Serve para o "socorro" antes de começar o produto de longa duração |
| Shampoo e talco antipulgas | Piretrinas e outros | Horas a poucos dias | Parcial | Parcial | Só mata o que está no animal na hora. Não substitui nenhum dos acima |
Sobre a classe mais usada, os comprimidos de isoxazolina, vale uma informação que não está na propaganda. Em 2018 a agência americana de medicamentos, a FDA, incluiu na bula desses produtos o alerta de que eles "foram associados a reações neurológicas adversas, incluindo tremores musculares, ataxia e convulsões em alguns cães e gatos". A mesma agência os considera "seguros e eficazes" e diz que a maioria dos animais os usa sem problema. A recomendação prática: se o seu animal já teve convulsão ou tem epilepsia, diga isso ao veterinário antes de escolher o antipulgas. Existe alternativa.
Filhotes, gestantes e idosos
É onde mais se erra. Filhote com menos de 8 semanas raramente pode receber produto de longa duração; a bula de cada um diz a idade e o peso mínimos, e um filhote de 1,5 kg não é "meio cachorro pequeno". Para esses, o veterinário costuma combinar pente fino, banho comum, controle do ambiente e um produto liberado para a idade. Cadela ou gata prenhe ou amamentando: só produto que a bula libera para gestante. Idoso com doença renal ou hepática: converse antes.
E a regra de ouro da dose: não se divide comprimido de cão grande para dois pequenos sem o veterinário mandar. A dose é por quilo, e o erro para baixo deixa o animal desprotegido enquanto o erro para cima intoxica.
Gato: a regra que salva vidas
Muitas pipetas, sprays e coleiras de cachorro contêm permetrina ou outros piretroides, e o gato não consegue metabolizar essas substâncias: o fígado dele tem uma deficiência na via de glicuronidação que o cão não tem. O resultado é intoxicação grave, com "tremores musculares, convulsões, hipertermia, ataxia", que pode levar até 24 horas para aparecer. Isso vale para a pipeta aplicada no gato por engano e para o gato que dorme encostado no cachorro recém-tratado ou o lambe. Com atendimento rápido o prognóstico é bom; sem, o gato morre.
Na prática: em casa com cão e gato, trate os dois no mesmo dia, cada um com o produto da própria espécie, e mantenha o gato longe do cachorro até a pipeta do cão secar completamente. Se aplicou produto de cão no gato por engano, dê banho com detergente neutro e água morna imediatamente, seque bem e leve ao veterinário na hora, mesmo sem sintoma. Não espere aparecer.
Gato também precisa de proteção contra pulga o ano inteiro, mesmo o que não sai. A pulga entra pela janela, na roupa, no cachorro do vizinho. E gato é o animal em que a DAPP, a alergia à picada, mais aparece: feridas pequenas e crostas ao longo das costas e no pescoço, a chamada dermatite miliar, quase sempre são pulga.
A casa: onde a guerra é ganha
Aqui está o motivo de tanta gente "tratar e não resolver". O produto no animal mata as pulgas adultas que subirem nele. Mas os ovos, larvas e pupas que já estão na casa continuam se desenvolvendo e saindo dos casulos por semanas. Segundo o Manual Merck, o controle completo de uma infestação "leva tipicamente 2 a 3 meses por causa dos estágios da pulga já presentes no ambiente". Quem para no primeiro mês porque "não vê mais pulga" recomeça do zero no terceiro.
- Trate todos os animais da casa, ao mesmo tempo, sem exceção. Um gato sem tratamento sustenta a infestação da casa inteira.
- Mantenha o produto no animal por pelo menos 3 meses seguidos, na frequência da bula. No Brasil, onde não há inverno de verdade na maior parte do país, o ideal é o ano inteiro.
- Aspire tudo: tapete, sofá, frestas do piso, embaixo dos móveis, a cama do animal. A vibração do aspirador ainda faz as pulgas saírem do casulo, o que as expõe ao produto. Jogue o saco ou esvazie o coletor fora de casa.
- Lave em água quente a cama, as cobertas e os panos onde o animal deita, toda semana durante a infestação.
- Trate o ambiente com um produto próprio para ambiente, de preferência com regulador de crescimento de inseto (piriproxifeno ou metopreno), que impede o ovo e a larva de virarem pulga adulta. Não é o mesmo produto do animal. Siga a bula e afaste os animais durante a aplicação.
- Para carrapato do cão, a lógica é a mesma, mas o alvo são frestas de muro, canil, rodapé e atrás de móveis, onde ele se esconde e põe ovos. Casos pesados pedem dedetização profissional, que precisa saber que é para carrapato.
- Quintal: grama baixa, sem entulho, sem monte de folhas. Carrapato e larva de pulga gostam de sombra úmida.
Remédio caseiro: o que não funciona e o que faz mal
- Alho na comida. Não afasta pulga e é tóxico para cão e gato: destrói glóbulos vermelhos. Nunca.
- Óleos essenciais (citronela, tea tree, eucalipto) no pelo. Em gato são tóxicos, inclusive pelo cheiro em ambiente fechado. Em cão, irritam a pele e não têm efeito duradouro.
- Vinagre, água com limão, sal no tapete. Não matam ovos, larvas nem pupas. Perda de tempo enquanto a infestação cresce.
- Banho quente e sabão. Tira as pulgas adultas da hora, e só. No dia seguinte as novas já subiram.
- Remédio de gente. Nenhum antipulgas ou repelente humano serve para animal. Se a dúvida for sobre remédio humano em geral, o assunto tem um artigo inteiro.
O único "caseiro" que funciona de verdade é o pente fino diário, que tira pulga do animal e serve de termômetro para saber se o tratamento está dando certo. É complemento, não substituto.
Quando ir ao veterinário sem esperar
Pulga e carrapato em si você resolve em casa com produto certo e paciência. O que não se resolve em casa é a doença que eles trazem. Vá ao veterinário hoje, e não amanhã, se o animal tiver:
- febre, apatia ou recusa de comida depois de ter tido carrapato, mesmo semanas antes;
- gengiva pálida ou amarelada, sangramento pelo nariz, manchinhas vermelhas na barriga, urina escura;
- filhote ou gato pequeno cheio de pulgas, fraco;
- feridas abertas, com cheiro ou pus, de tanto se coçar;
- tremores, salivação ou convulsão depois de aplicar qualquer produto, em especial em gato.
Fora do horário comercial, use a busca de serviços com atendimento 24 horas na sua cidade. Para a rotina, um estabelecimento de produtos veterinários perto de você tem os antiparasitários registrados; e um banho e tosa de confiança é quem costuma avisar primeiro que apareceu pulga ou carrapato, porque vê a pele do animal de perto todo mês.
E lembre-se do calendário: antipulgas não substitui vacina nem vermífugo, e vice-versa. O calendário de vacinação e o controle de parasitas andam juntos na mesma consulta anual.
Fontes consultadas
Este artigo é de pauta própria. A biologia da pulga e a técnica de remoção do carrapato vêm de referências internacionais, porque não mudam de país; tudo o que é brasileiro, da febre maculosa ao registro de produtos, vem de fonte brasileira. Os links foram abertos e conferidos um a um em 02/09/2026.
- Ministério da Saúde. Febre maculosa. Agente, espécies, sintomas, remoção e prevenção.
- Instituto Brasília Ambiental. As capivaras e a febre maculosa brasileira. Tempo de fixação, incubação, letalidade e o papel das capivaras.
- Revista Clínica Veterinária. Capivaras, carrapato-estrela e a febre maculosa brasileira. Vetor principal e reemergência no Sudeste.
- VP Diagnóstico. Erliquiose canina. Incubação, fases, diagnóstico e tratamento com doxiciclina.
- Ourofino Pet. Erliquiose canina: a doença do verão. Sinais clínicos.
- Ministério da Agricultura e Pecuária. Produtos veterinários. Registro e consulta pública de antiparasitários.
- Merck Veterinary Manual. Fleas in Dogs and Cats. Biologia da pulga, números do ciclo e controle ambiental.
- CDC (EUA). Tick removal. Técnica de remoção passo a passo.
- FDA (EUA). Fact sheet: isoxazoline flea and tick products. Alerta neurológico e posição da agência.
- Improve International. Intoxicação por permetrina em gatos. Mecanismo, exposição, sinais e prognóstico.
Perguntas frequentes
Meu cachorro só sai para passear na rua. Como pegou pulga?
A pulga adulta pula do chão para o animal em qualquer passeio, e os ovos caem em casa. Um único passeio por uma calçada, pracinha ou pet shop com pulgas basta. Gato que nunca sai também pega: a pulga entra pela janela, na roupa das pessoas ou em outro animal. Por isso a proteção é contínua, não só "quando aparecer".
Dei o antipulgas e ele continua com pulga. O produto é ruim?
Quase nunca. O produto mata as pulgas que subirem no animal, mas os ovos, larvas e pupas que já estavam na casa continuam virando pulga por semanas e subindo nele. Você está vendo pulgas novas, não as antigas. O controle completo leva de 2 a 3 meses, com todos os animais tratados e a casa aspirada e lavada. Se depois de 3 meses ainda houver pulga, aí sim converse com o veterinário sobre trocar de classe.
Tirei o carrapato e a cabeça ficou dentro. E agora?
Tente tirar com uma pinça de ponta fina. Se não sair com facilidade, deixe: a pele expulsa o pedaço sozinha em alguns dias, como uma farpa. Limpe o local com água e sabão e observe. Se inflamar, ficar com pus ou o animal tiver febre nas semanas seguintes, procure o veterinário e conte do carrapato.
Quanto tempo depois do carrapato o cachorro pode ficar doente?
A erliquiose tem período de incubação de 8 a 20 dias. Ou seja, o cachorro pode adoecer até três semanas depois de você ter visto o último carrapato. Febre, apatia, falta de apetite, gengiva pálida e sangramento pelo nariz nesse período pedem veterinário no mesmo dia, e vale contar que ele teve carrapato.
Posso usar o antipulgas do cachorro no gato, em dose menor?
Não. Muitos produtos de cão contêm permetrina ou outros piretroides, que o fígado do gato não consegue metabolizar. A intoxicação causa tremores, convulsões e febre, pode demorar até 24 horas para aparecer e mata sem tratamento. Não é questão de dose: é de substância. Use só produto cuja bula diga "para gatos", e mantenha o gato longe do cachorro até a pipeta dele secar.
Carrapato de cachorro passa doença para pessoa?
O carrapato marrom do cão, o mais comum nas cidades, raramente pica pessoas. O risco humano vem do carrapato-estrela, do mato e das áreas com capivara, que transmite a febre maculosa: uma doença que mata cerca de um terço dos infectados e mais de dois terços quando o tratamento atrasa. O cachorro pode trazer esse carrapato para dentro de casa depois de uma trilha ou de um parque com lago. Febre alta nas duas semanas seguintes a esse contato é caso de médico no mesmo dia.
Preciso dar antipulgas no inverno?
No Brasil, sim. Na maior parte do país o inverno não é frio o bastante para interromper o ciclo da pulga, e dentro de casa a temperatura é sempre favorável. A pulga formada pode esperar meses dentro do casulo e sair quando esquentar. Quem para no inverno costuma começar o verão já com infestação.
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