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Prevenção

Pulga e carrapato em cachorro e gato: como eliminar, como prevenir e quando vira doença

A maior parte das pulgas não está no animal, está na sua casa, e a doença do carrapato aparece semanas depois do último carrapato. Veja o que existe para eliminar e prevenir, como tirar um carrapato sem risco, a regra que salva a vida do gato e quando é caso de veterinário.

Por Redação TPSA Publicado em 14 min de leitura

Filhote de pelagem marrom deitado em pedrinhas coçando a orelha com a pata traseira, ao pôr do sol
Foto: Rachel Claire / Pexels
Neste artigo

A resposta curta

Pulga e carrapato não são "coisa de bicho de rua". No Brasil, com calor o ano inteiro em boa parte do país, eles atacam o cachorro de apartamento que só sai para passear e o gato que nunca pisou na grama. E a diferença entre um incômodo e uma doença séria está em três decisões que são suas: usar um produto de verdade, tratar a casa junto com o animal e não parar cedo demais.

Se você quer só o essencial: para pulga, a maior parte da população não está no animal, está no chão da sua casa, e é por isso que banho não resolve e o tratamento precisa durar meses. Para carrapato, o que importa é a doença que ele carrega, e a mais comum aqui, a erliquiose, tem um período de incubação de 8 a 20 dias: o cachorro adoece semanas depois de você ter tirado o último carrapato. E há uma regra que não admite exceção: produto de cachorro nunca vai em gato. A explicação de cada ponto vem a seguir.

Pulga ou carrapato: como saber o que ele tem

Os dois fazem o animal se coçar, e é comum a pessoa tratar um achando que é o outro. Eles são bichos diferentes, com hábitos diferentes, e o produto que resolve um nem sempre resolve o outro.

PulgaCarrapato
O que éInseto de 1 a 3 mm, marrom-escuro, achatado, que pulaAracnídeo (parente da aranha), de 2 mm a mais de 1 cm quando cheio de sangue, que anda e se fixa
Onde fica no animalSe move rápido pela pelagem; base da cauda, barriga e virilhaParado, grudado na pele: orelhas, entre os dedos, pescoço, axilas
Onde viveOvos, larvas e pupas no ambiente: tapete, cama, frestas do piso, terraO do cão vive em frestas de muro, canil e rodapé; o do mato, no capim e em áreas rurais
Sinal típicoCoceira intensa, pontinhos pretos na pelagem ("fezes de pulga"), feridas na base da caudaCarrapatos visíveis; às dias depois, febre, apatia, gengiva pálida, sangramento
Risco principalAlergia (DAPP), anemia em filhotes, verme (Dipylidium)Erliquiose, babesiose; para pessoas, febre maculosa
Em gatoMuito comumRaro, mas acontece em gato que sai

Um detalhe que engana: o carrapato pequeno, recém-fixado, parece uma verruga ou uma casquinha, e o cheio de sangue parece um feijão cinza. Passe a mão contra o pelo, com calma, nas orelhas, entre os dedos e no pescoço. É onde eles se escondem.

Pulga: o que você vê é a ponta do problema

Gata tricolor sentada na grama coçando o pescoço com a pata traseira, olhos fechados
Coceira no pescoço e na base da cauda é o sinal clássico. Foto: DmytKoPl / Pexels

A pulga que ataca cães e gatos no Brasil é quase sempre a mesma: a Ctenocephalides felis, a "pulga do gato", que apesar do nome é também a pulga do cachorro. O Manual Veterinário Merck a chama de "de longe a mais prevalente em cães e gatos". E os números dela explicam por que o problema volta.

Uma pulga adulta começa a se alimentar cerca de 5 minutos depois de subir no animal. A fêmea põe ovos a partir de 24 a 48 horas da primeira refeição de sangue: até 40 a 50 ovos por dia no pico, uma média de 27 por dia ao longo de 50 dias. Os ovos não ficam no animal. Eles são lisos e caem da pelagem onde o bicho anda, dorme e se sacode: cama, tapete, sofá, frestas do piso, terra do quintal.

No chão, o ovo vira larva, a larva vira pupa dentro de um casulo, e o casulo é o problema. Em condições ideais o ciclo inteiro fecha em 12 a 14 dias; numa casa comum, em 3 a 8 semanas. Mas a pulga já formada pode ficar esperando dentro do casulo por até 30 semanas, protegida, até sentir calor, vibração ou o gás carbônico de um animal passando. Aí ela sai. É por isso que uma casa que ficou fechada nas férias "explode" em pulgas quando a família volta, e é por isso que dar um banho no animal e achar que acabou é a ilusão mais cara desse assunto.

Como confirmar que é pulga

Nem sempre você vê a pulga. Veja os rastros. Passe um pente fino (pente de pulga, que qualquer pet shop vende) na base da cauda e na barriga, e bata o que sair sobre um papel branco úmido. Pontinhos pretos que ficam avermelhados ao molhar são fezes de pulga: sangue digerido. Isso é diagnóstico.

Repare também no padrão da coceira. Pulga costuma concentrar na metade de trás do corpo: base da cauda, parte de dentro das coxas, barriga. Um animal que se morde ali até tirar pelo, com pele vermelha e casquinhas, provavelmente tem dermatite alérgica à picada de pulga, a DAPP. Nesse caso uma única picada basta para semanas de coceira, e o tratamento precisa ser mais rígido do que o de um animal que não é alérgico.

O que a pulga faz além de coçar

Carrapato: o do cão e o do mato

Carrapato em close sobre uma folha de capim, com o fundo desfocado em tons de laranja
O carrapato espera no capim e sobe quando o animal encosta. Foto: Erik Karits / Pexels

No Brasil, dois carrapatos importam para quem tem cachorro, e eles vivem em mundos diferentes.

O carrapato do cão (Rhipicephalus sanguineus, chamado de carrapato marrom ou carrapato vermelho do cão) é o das cidades. Ele não precisa de mato: vive em frestas de muro, canil, rodapé, atrás de móveis, e sobe no animal para se alimentar. É esse que aparece em cachorro de apartamento que frequenta a pracinha ou o pet shop, e é ele que transmite a erliquiose e a babesiose, a famosa "doença do carrapato".

O carrapato-estrela (Amblyomma sculptum) é o do mato, do pasto, da beira de rio e das áreas com capivara e cavalo. O cachorro pega em trilha, sítio, fazenda, parque com lago. Para o animal ele é um parasita como outro; para você, ele é o transmissor da febre maculosa, a doença mais letal transmitida por carrapato no país. E o cachorro é a ponte que traz esse carrapato do mato para dentro da sua casa.

Gato raramente tem carrapato: ele se limpa demais. Mas gato que sai para o quintal e volta com um carrapato grudado existe, e vale a mesma técnica de remoção.

A "doença do carrapato": erliquiose e babesiose

Quando alguém diz que o cachorro "pegou doença do carrapato", está falando de uma de duas infecções, ou das duas juntas: a erliquiose, causada pela bactéria Ehrlichia canis, e a babesiose, causada por um protozoário que destrói glóbulos vermelhos. As duas vêm da picada do carrapato do cão. A erliquiose é a mais comum e a mais traiçoeira, e é dela que vamos falar.

O período de incubação é de 8 a 20 dias. Traduzindo: o cachorro pode ter ficado limpo de carrapato há duas semanas e só agora começar a adoecer, e o dono não faz a ligação. A doença tem três fases:

O diagnóstico é do veterinário: hemograma (as plaquetas baixas são o primeiro sinal), teste rápido, sorologia ou PCR. O tratamento é um antibiótico específico, a doxiciclina, por 3 a 4 semanas nos casos agudos e até 8 nos crônicos. Duas coisas que o dono precisa saber: o tratamento não pode ser interrompido quando o animal melhora, porque a bactéria volta; e não existe vacina. A única prevenção é não deixar o carrapato picar.

Se o seu cachorro está com febre, apático, com a gengiva pálida ou sangrando pelo nariz, não espere para ver se passa. Procure um veterinário hoje e conte que ele teve carrapato, mesmo que há semanas. Essa informação muda o exame que vai ser pedido.

Febre maculosa: o risco aqui é para você

A febre maculosa brasileira é causada pela bactéria Rickettsia rickettsii e transmitida pelo carrapato-estrela. O cachorro é raramente o doente; ele é o transporte. Um cão que passeou num parque com capivaras e voltou com carrapatos trouxe para o sofá um bicho que pode picar você ou uma criança.

Os números do Instituto Brasília Ambiental, que acompanha a doença no Distrito Federal, dão a medida do problema: para transmitir a bactéria, "o carrapato-estrela infectado precisa ficar ao menos quatro horas fixado na pessoa"; o período de incubação "dura sete dias, em média, podendo variar de dois a 14 dias"; e a mortalidade fica "próxima a 33%, podendo alcançar até 80% sem tratamento precoce". A doença é concentrada no Sudeste, sobretudo no interior de São Paulo, e vem reemergindo com o aumento da população de capivaras.

Os sintomas, segundo o Ministério da Saúde, começam como uma virose: febre, "dor de cabeça intensa", náuseas, vômitos, diarreia. As manchas na pele que dão nome à doença podem demorar a aparecer, e quando aparecem o quadro já é grave. Por isso a regra é simples: febre alta nas duas semanas seguintes a uma trilha, sítio ou parque com carrapato é caso de médico no mesmo dia, dizendo que houve contato com carrapato. O tratamento funciona bem quando começa cedo.

Se você frequenta área com carrapato-estrela
  1. Roupas claras e calça dentro da meia. Carrapato escuro em roupa clara aparece.
  2. Examine o próprio corpo e o do cachorro ao voltar. "Quanto mais rápido retirar os carrapatos do corpo, menor será o risco de contrair a doença", diz o Ministério da Saúde.
  3. Mantenha o cão na guia em área com carrapato, para ele não trazer o bicho do capim para dentro de casa.
  4. Nunca esmague um carrapato com a unha: o fluido dele pode infectar por um corte na pele.

Como tirar um carrapato do jeito certo

Carrapato pequeno caminhando sobre a pele de uma pessoa, em close
Ainda solto é fácil: quanto antes sair, menor o risco. Foto: Erik Karits / Pexels

Vale para o cachorro, para o gato e para você. A técnica é a mesma que os Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos ensinam, e que o Ministério da Saúde resume em uma frase: "não aperte ou esmague o carrapato, mas puxe com cuidado e firmeza".

  1. Use uma pinça de ponta fina ou um removedor de carrapato (o "gancho" de plástico vendido em pet shop). Na falta, os dedos protegidos por luva ou papel.
  2. Pegue o carrapato o mais perto possível da pele, pela cabeça, não pelo corpo cheio.
  3. Puxe reto, com pressão constante, sem torcer e sem dar tranco. Torcer quebra o bicho e deixa a cabeça dentro.
  4. Se um pedaço da boca ficar na pele, tente tirar com a pinça. Se não sair com facilidade, deixe: o corpo expulsa sozinho, como uma farpa.
  5. Limpe o local com água e sabão ou álcool, e limpe as mãos.
  6. Descarte sem esmagar: num potinho com álcool, num saco fechado ou na privada. Se alguém da casa tiver febre nas semanas seguintes, o carrapato guardado no álcool ajuda o médico.

O que não fazer, nunca: álcool, fogo, vaselina, esmalte ou querosene em cima do carrapato grudado. A ideia de "sufocar" o bicho para ele soltar é folclore, e o efeito real é o contrário: o carrapato irritado regurgita dentro da picada, e é aí que a bactéria entra.

Tirou dez carrapatos do cachorro numa noite? Ótimo, mas isso é sintoma, não tratamento. Onde há dez visíveis há centenas em fase jovem escondidas na casa ou no quintal. Vá para a próxima seção.

Como eliminar: o que existe e como escolher

Existe muito produto bom no Brasil, e o critério número um é o mais simples: tem registro no Ministério da Agricultura? Todo antiparasitário legal traz o número de registro no Mapa na embalagem, e o próprio Ministério mantém a consulta pública dos produtos registrados. Produto sem registro, de feira ou de importação informal, não tem controle de dose nem de segurança, e a economia sai caro.

O segundo critério é a bula: idade mínima, peso mínimo e espécie. Cada produto tem os seus, e não existe "mais ou menos". A tabela abaixo organiza o que existe por tipo. Os nomes comerciais aparecem só como referência do que você encontra na prateleira; quem indica o produto certo para o seu animal é o médico-veterinário, e é nele que você confia a dose.

TipoPrincípios ativos comunsDuraPulgaCarrapatoObservação
Comprimido mastigável (isoxazolinas)Fluralaner, afoxolaner, sarolaner, lotilaner (Bravecto, NexGard, Simparic, Credeli)1 a 3 meses, conforme o produtoSimSimAge pelo sangue: não sai no banho nem na chuva. Alguns têm versão para gato. É a classe mais usada hoje
ColeiraImidacloprida + flumetrina (Seresto); deltametrinaAté 8 mesesSimSimPrecisa ficar justa, encostada na pele. Verifique se a versão é para cão ou gato: são diferentes
Pipeta (spot-on)Fipronil (Frontline), imidacloprida (Advantage), selamectina (Revolution, para gato)Cerca de 1 mêsSimDepende do produtoAplicar na nuca, na pele, não no pelo. Sem banho nos 2 dias antes e depois. Pipeta de cão em gato pode matar (veja abaixo)
SprayFipronil e outrosSemanasSimSimÚtil em filhote muito novo, quando a bula permite, e em infestação pesada como reforço
Comprimido de ação rápidaNitenpiram (Capstar)24 horasSimNãoMata as pulgas do animal em horas; não previne. Serve para o "socorro" antes de começar o produto de longa duração
Shampoo e talco antipulgasPiretrinas e outrosHoras a poucos diasParcialParcialSó mata o que está no animal na hora. Não substitui nenhum dos acima

Sobre a classe mais usada, os comprimidos de isoxazolina, vale uma informação que não está na propaganda. Em 2018 a agência americana de medicamentos, a FDA, incluiu na bula desses produtos o alerta de que eles "foram associados a reações neurológicas adversas, incluindo tremores musculares, ataxia e convulsões em alguns cães e gatos". A mesma agência os considera "seguros e eficazes" e diz que a maioria dos animais os usa sem problema. A recomendação prática: se o seu animal já teve convulsão ou tem epilepsia, diga isso ao veterinário antes de escolher o antipulgas. Existe alternativa.

Filhotes, gestantes e idosos

É onde mais se erra. Filhote com menos de 8 semanas raramente pode receber produto de longa duração; a bula de cada um diz a idade e o peso mínimos, e um filhote de 1,5 kg não é "meio cachorro pequeno". Para esses, o veterinário costuma combinar pente fino, banho comum, controle do ambiente e um produto liberado para a idade. Cadela ou gata prenhe ou amamentando: só produto que a bula libera para gestante. Idoso com doença renal ou hepática: converse antes.

E a regra de ouro da dose: não se divide comprimido de cão grande para dois pequenos sem o veterinário mandar. A dose é por quilo, e o erro para baixo deixa o animal desprotegido enquanto o erro para cima intoxica.

Gato: a regra que salva vidas

Nunca use produto de cão em gato.

Muitas pipetas, sprays e coleiras de cachorro contêm permetrina ou outros piretroides, e o gato não consegue metabolizar essas substâncias: o fígado dele tem uma deficiência na via de glicuronidação que o cão não tem. O resultado é intoxicação grave, com "tremores musculares, convulsões, hipertermia, ataxia", que pode levar até 24 horas para aparecer. Isso vale para a pipeta aplicada no gato por engano e para o gato que dorme encostado no cachorro recém-tratado ou o lambe. Com atendimento rápido o prognóstico é bom; sem, o gato morre.

Na prática: em casa com cão e gato, trate os dois no mesmo dia, cada um com o produto da própria espécie, e mantenha o gato longe do cachorro até a pipeta do cão secar completamente. Se aplicou produto de cão no gato por engano, dê banho com detergente neutro e água morna imediatamente, seque bem e leve ao veterinário na hora, mesmo sem sintoma. Não espere aparecer.

Gato também precisa de proteção contra pulga o ano inteiro, mesmo o que não sai. A pulga entra pela janela, na roupa, no cachorro do vizinho. E gato é o animal em que a DAPP, a alergia à picada, mais aparece: feridas pequenas e crostas ao longo das costas e no pescoço, a chamada dermatite miliar, quase sempre são pulga.

A casa: onde a guerra é ganha

Aqui está o motivo de tanta gente "tratar e não resolver". O produto no animal mata as pulgas adultas que subirem nele. Mas os ovos, larvas e pupas que já estão na casa continuam se desenvolvendo e saindo dos casulos por semanas. Segundo o Manual Merck, o controle completo de uma infestação "leva tipicamente 2 a 3 meses por causa dos estágios da pulga já presentes no ambiente". Quem para no primeiro mês porque "não vê mais pulga" recomeça do zero no terceiro.

  1. Trate todos os animais da casa, ao mesmo tempo, sem exceção. Um gato sem tratamento sustenta a infestação da casa inteira.
  2. Mantenha o produto no animal por pelo menos 3 meses seguidos, na frequência da bula. No Brasil, onde não há inverno de verdade na maior parte do país, o ideal é o ano inteiro.
  3. Aspire tudo: tapete, sofá, frestas do piso, embaixo dos móveis, a cama do animal. A vibração do aspirador ainda faz as pulgas saírem do casulo, o que as expõe ao produto. Jogue o saco ou esvazie o coletor fora de casa.
  4. Lave em água quente a cama, as cobertas e os panos onde o animal deita, toda semana durante a infestação.
  5. Trate o ambiente com um produto próprio para ambiente, de preferência com regulador de crescimento de inseto (piriproxifeno ou metopreno), que impede o ovo e a larva de virarem pulga adulta. Não é o mesmo produto do animal. Siga a bula e afaste os animais durante a aplicação.
  6. Para carrapato do cão, a lógica é a mesma, mas o alvo são frestas de muro, canil, rodapé e atrás de móveis, onde ele se esconde e põe ovos. Casos pesados pedem dedetização profissional, que precisa saber que é para carrapato.
  7. Quintal: grama baixa, sem entulho, sem monte de folhas. Carrapato e larva de pulga gostam de sombra úmida.

Remédio caseiro: o que não funciona e o que faz mal

O único "caseiro" que funciona de verdade é o pente fino diário, que tira pulga do animal e serve de termômetro para saber se o tratamento está dando certo. É complemento, não substituto.

Quando ir ao veterinário sem esperar

Veterinário de uniforme azul examinando um cão da raça spitz alemão sobre a mesa do consultório
Um hemograma simples separa "coceira" de "doença do carrapato". Foto: Tima Miroshnichenko / Pexels

Pulga e carrapato em si você resolve em casa com produto certo e paciência. O que não se resolve em casa é a doença que eles trazem. Vá ao veterinário hoje, e não amanhã, se o animal tiver:

Fora do horário comercial, use a busca de serviços com atendimento 24 horas na sua cidade. Para a rotina, um estabelecimento de produtos veterinários perto de você tem os antiparasitários registrados; e um banho e tosa de confiança é quem costuma avisar primeiro que apareceu pulga ou carrapato, porque vê a pele do animal de perto todo mês.

E lembre-se do calendário: antipulgas não substitui vacina nem vermífugo, e vice-versa. O calendário de vacinação e o controle de parasitas andam juntos na mesma consulta anual.

Fontes consultadas

Este artigo é de pauta própria. A biologia da pulga e a técnica de remoção do carrapato vêm de referências internacionais, porque não mudam de país; tudo o que é brasileiro, da febre maculosa ao registro de produtos, vem de fonte brasileira. Os links foram abertos e conferidos um a um em 02/09/2026.

Perguntas frequentes

Meu cachorro só sai para passear na rua. Como pegou pulga?

A pulga adulta pula do chão para o animal em qualquer passeio, e os ovos caem em casa. Um único passeio por uma calçada, pracinha ou pet shop com pulgas basta. Gato que nunca sai também pega: a pulga entra pela janela, na roupa das pessoas ou em outro animal. Por isso a proteção é contínua, não só "quando aparecer".

Dei o antipulgas e ele continua com pulga. O produto é ruim?

Quase nunca. O produto mata as pulgas que subirem no animal, mas os ovos, larvas e pupas que já estavam na casa continuam virando pulga por semanas e subindo nele. Você está vendo pulgas novas, não as antigas. O controle completo leva de 2 a 3 meses, com todos os animais tratados e a casa aspirada e lavada. Se depois de 3 meses ainda houver pulga, aí sim converse com o veterinário sobre trocar de classe.

Tirei o carrapato e a cabeça ficou dentro. E agora?

Tente tirar com uma pinça de ponta fina. Se não sair com facilidade, deixe: a pele expulsa o pedaço sozinha em alguns dias, como uma farpa. Limpe o local com água e sabão e observe. Se inflamar, ficar com pus ou o animal tiver febre nas semanas seguintes, procure o veterinário e conte do carrapato.

Quanto tempo depois do carrapato o cachorro pode ficar doente?

A erliquiose tem período de incubação de 8 a 20 dias. Ou seja, o cachorro pode adoecer até três semanas depois de você ter visto o último carrapato. Febre, apatia, falta de apetite, gengiva pálida e sangramento pelo nariz nesse período pedem veterinário no mesmo dia, e vale contar que ele teve carrapato.

Posso usar o antipulgas do cachorro no gato, em dose menor?

Não. Muitos produtos de cão contêm permetrina ou outros piretroides, que o fígado do gato não consegue metabolizar. A intoxicação causa tremores, convulsões e febre, pode demorar até 24 horas para aparecer e mata sem tratamento. Não é questão de dose: é de substância. Use só produto cuja bula diga "para gatos", e mantenha o gato longe do cachorro até a pipeta dele secar.

Carrapato de cachorro passa doença para pessoa?

O carrapato marrom do cão, o mais comum nas cidades, raramente pica pessoas. O risco humano vem do carrapato-estrela, do mato e das áreas com capivara, que transmite a febre maculosa: uma doença que mata cerca de um terço dos infectados e mais de dois terços quando o tratamento atrasa. O cachorro pode trazer esse carrapato para dentro de casa depois de uma trilha ou de um parque com lago. Febre alta nas duas semanas seguintes a esse contato é caso de médico no mesmo dia.

Preciso dar antipulgas no inverno?

No Brasil, sim. Na maior parte do país o inverno não é frio o bastante para interromper o ciclo da pulga, e dentro de casa a temperatura é sempre favorável. A pulga formada pode esperar meses dentro do casulo e sair quando esquentar. Quem para no inverno costuma começar o verão já com infestação.

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Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um médico veterinário. Diante de qualquer sinal de alerta, procure atendimento presencial.

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